| No Evangelho de Lc 13, 22-30, alguém questiona Jesus: “Senhor, é verdade que são poucos os que se salvam?” Esta era uma discussão presente nos círculos religiosos judaicos. Como hoje, em pleno século 21, ainda existem religiões que afirmam que poucos serão salvos ou até mesmo determinam o números de pessoas que serão salvas. Na época de Jesus havia a discussão entre duas tendências. A teologia rabínica afirmava que somente os pertencentes ao povo de Israel é que seriam salvos. Porém, alguns grupos apocalípticos afirmavam que nem todos do povo de Israel seriam salvos. Ao ser questionado, Jesus não entra na discussão, mas muda a perspectiva da pergunta. A pergunta feita possui por traz a idéia de que Deus já possui os seus privilegiados. Jesus não joga a questão da salvação para Deus, mas para os homens. Em primeiro lugar, ele deixa claro que não é a simples pertença a uma etnia, a uma cultura ou a uma religião que dá a garantia da salvação. Esta mesma reflexão podemos fazer nos dias atuais. Não é simplesmente o batismo, a pertença à religião cristã, o engajamento em uma paróquia, a pertença a um movimento ou grupo de oração que nos dá a garantia de salvação. Em segundo lugar, Jesus deixa claro que o grande critério de ser ou não ser salvo é a justiça. Esta é representada pelo símbolo da “porta estreita”. “Fazei o possível para entrar pela porta estreita”, diz Jesus. Esta metáfora diz respeito à justiça, pois a porta estreita impõe os limites de minhas ações diante de qualquer situação da vida. Eu não posso viver como se o mundo fosse simplesmente e somente meu, passando pelos limites da liberdade do outro ou deixando com que os outros adentrem à minha liberdade. O senso de justiça é a porta estreita que impõe obrigações e nos oferece direitos. Através da vivencia da justiça começamos a viver como salvos. Sendo que a justiça é um pré-requisito para o amor. Eu não consigo viver o amor, sem viver a justiça. O amor sem justiça pode se tornar anulação ou dependência. A parábola do senhor que fecha a porta e dos que imploram pela entrada por terem freqüentado o mesmo ambiente que o senhor deixa muito claro que religião não é um clube do qual eu pertenço, mas um caminho de transcendência que me leva a ser mais justo e correto na vida. Existem pessoas de outras religiões ou pessoas sem religião que estão salvas, pois vivem uma vida de justiça e de dedicação ao outro. O que nos faz salvos não é o título que recebemos, mas o que vivemos de fato. |